• Paula Costa, Artista Plástica

Artista Visual. Rio de Janeiro, Brasil.

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RALSTON, Ana Carolina.
2018. In: Paula Costa / Dance Exhibition

Curadora da Exposição Dance / Dance Exhibition Curator

Dance

 

“We should consider every day lost

on which we have not danced at least once”,

Friedrich Nietzsche

 

O nascer e morrer de uma flor repetidas vezes mimetiza as batidas de um coração. É por meio de uma arte viva, criada a partir de matérias-primas orgânicas, que a artista Paula Costa enfatiza a beleza que podemos encontrar na finitude. A videoinstalação que segue os movimentos vitais do órgão humano traz, bordado na mesma flor, o nome da exposição, Dance, em cartaz durante a 2° edição do Brasil Fashion Forum.

 

No lugar do pincel e da tinta, estão a agulha e o fio de algodão e lã com os quais a artista alinhava folhas e flores em diferentes etapas de sua existência, dando-lhes um novo significado – ora em pontos simples, formando imagens abstratas, ora em palavras. A natureza, o oráculo de Paula na busca de inspiração e respostas, e as intervenções feitas por ela em seus fragmentos ganham diferentes suportes, como em uma das salas, na qual as linhas parecem conectar o céu e a terra em uma instalação interativa site specific.

 

Muitas das criações de Paula são eternizadas ainda em seu ápice pelas lentes fotográficas. O gênero aparece em um segundo momento na trajetória da artista e como coadjuvante, na tentativa de congelar o tempo ou mesmo de estudá-lo, acompanhando o processo de desfragmentação de cada matéria-prima envolvida na criação. Em um processo intuitivo, Paula une a arte com a própria história de vida, que sempre teve o efêmero como objeto contemplativo e que acabou transformando-se no principal tema de sua expressão artística.

 

"Na cultura ocidental, temos dificuldade em olhar para a morte. Mas ela nem sempre representa o fim. Ela é parte da transformação para um outro estágio ou outra consciência. É por meio de nossas pequenas mortes individuais que  fechamos ciclos e começamos outros", analisa a artista. Dessa forma, a finitude  exibe sua beleza como um catalizador criativo, que gera inquietude em busca do eterno retorno. A maneira em que a artista encontrou de afirmar sua passagem pelo mundo é aceitar o tempo de duração de tudo que existe na terra.

 

Ana Carolina Ralston